Dr. Gamaliel Marques

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Tireóide, um fator de peso


Engordou ou emagreceu demais? Fique de olho na ação dos hormônios...


Por Sylvia Dietrich • 09/12/2008


Você vive lutando contra a balança com as mais diversas armas: dá-lhe dieta, malhação, meditação, cremes redutores, tratamentos emagrecedores, chás milagrosos... Mas nessa batalha ela é sempre a vencedora, pois o ponteiro insiste em não descer. Na contramão do seu problema, existe aquela amiga que não engorda de jeito nenhum - não faz nada e come tudo – e parece até que está mais magra que da última vez. Só que, atenção, esses dois perfis podem não significar apenas uma questão de sorte, mas pode ser algum desequilíbrio da glândula tireóide, responsável em regular diversos processos do nosso organismo.

Com o formato de uma borboleta, medindo apenas cerca de cinco centímetros e pesando de 15 a 30 gramas, a tireóide é uma glândula do nosso sistema endócrino localizada ao longo da base do pescoço, na frente da traquéia, logo abaixo do popularmente conhecido "pomo de Adão". Localizou? Pois bem: ela produz os hormônios tireoidianos, que circulam pela corrente sangüínea e atuam nas células, nos tecidos e nos órgãos de todo o corpo, desempenhando um importante papel no controle do metabolismo. Isto é, é ela quem diz ao nosso corpo em qual velocidade ele pode trabalhar e como ele deve usar a energia que possui. A maior ou a menor queima das calorias consumidas naqueles dias de festa ou TPM, portanto, também deve-se à pequena tireóide.

“A principal causa para o surgimento tanto do hipo quanto do hipertireoidismo é a predisposição genética, que inicialmente é responsável pelo desenvolvimento de doenças auto-imunes que atacam a tireóide, fazendo-a diminuir (hipo) ou aumentar (hiper) a produção dos hormônios"


Fique tranqüila: é claro que, se funcionando bem, a tireóide não apresenta nenhum efeito desagradável. Alguns fatores, porém, podem fazer a glândula trabalhar de forma errada, como a herança genética, o consumo exagerado de medicamentos irregulares para emagrecer, e a pouca ingestão de iodo - um componente essencial para a produção dos hormônios tireoidianos ativos (o T3 livre e o T4 livre). O iodo deve ser consumido em 150 mg por dia, quantidade que pode ser encontrada em cerca de 2,5 gramas a 7 gramas de sal.

Por causa desses e outros fatores, a tireóide pode passar a não funcionar corretamente e, conseqüentemente, acabar produzindo uma taxa muito inferior ou muito superior dos seus hormônios, em comparação com a quantidade diária adequada, que varia de 15 mg a 30 mg do triiodo tironiina (T3) e de 70mg a 90mg do hormônio tiroxina (T4). Com uma taxa muito alta desses hormônios, o metabolismo do corpo se acelera e ocorre o fenômeno chamado de hipertireoidismo. Caso contrário, se a taxa hormônios for baixa, ocorre o hipotireoidismo, e o metabolismo do corpo tem a velocidade reduzida.

Problemas nos dois extremos

Se não tratadas corretamente, estas duas doenças podem gerar diversos e sérios danos para a saúde, variando de pessoa para pessoa. O hipotireoidismo, por exemplo, pode provocar o aumento nos níveis de colesterol, doença cardíaca, infertilidade, fadiga, ganho de peso, depressão, intolerância ao frio, queda de cabelo, unhas quebradiças etc. Já o hipertireoidismo pode provocar aumento da freqüência cardíaca, nervosismo, fraqueza muscular, sudorese, perda de peso, tremores, alterações na pele, diminuição do fluxo menstrual, bócio, queda de cabelos e diarréia, entre outros.

A publicitária Anna Beatriz Nahuz, de 30 anos, por exemplo, descobriu que tinhahipotireoidismo há menos de um ano. A má alimentação e o estilo de vida sedentário foram determinantes. Ela, porém, afirma que apenas segue orientação médica em visitas regulares (uma vez por mês) e ainda não toma nenhum medicamento. Segundo ela, os sintomas mais desagradáveis são pressão baixa, dor de cabeça, alterações de humor e de comportamento. "Percebo mudanças no humor, pressão baixa e dores, principalmente", diz ela, que iniciou há pouco tempo uma dieta balanceada para controlar melhor o peso.

No início, por serem mais sutis estes sintomas (cansaço, indisposição, leve depressão e alteração no peso), as pessoas costumam os atribuir ao estresse e aos efeitos da vida moderna. Assim, se acostumam e não procuram um médico a princípio, demoram a fazer os exames indicados e até a iniciar um tratamento quando preciso. Enquanto isso, outros sintomas vão surgindo ou piorando de forma gradativa. Por isso, a atenção aos sinais do corpo e à boa alimentação, as visitas ao médico e a realização de exames freqüentes de dosagem hormonal é sempre importante!

Tireóide, um fator de peso > Sem cura


Existem, ainda, distúrbios específicos que afetam a glândula. No caso do hipotireoidismo, a doença auto-imune mais decorrente e também crônica é a Tireoidite de Hashimoto - que, com anticorpos, ataca a glândula tireóide, impedindo-a de produzir hormônios suficientemente. Ela é mais comum no sexo feminino: ocorre numa proporção de oito mulheres adultas para cada homem. A doença se agrava geralmente a partir dos 40 anos e chega a atingir 13% das mulheres após a menopausa. Mais um motivo para as mulheres ficarem atentas!

No caso de hipertireoidismo, a doença auto-imune mais comum é a Doença de Graves - que atinge de 70% a 80% dos pacientes e é causada por anticorpos que estimulam o crescimento da tiróide e a produção excessiva dos hormônios. Existe também a Doença de Plummer, que atinge de 20% a 30% dos pacientes e é caracterizada pelo surgimento de um nódulo tóxico na região. Mas os especialistas garantem que as doenças tireoideanas - assim como os nódulos tireoideanos (em sua maioria benignos) - se tratadas adequadamente e o mais cedo possível, podem ser bem equilibradas, quase cessando os possíveis sintomas.

"Para a maioria dos casos, não existe tratamento de cura definitiva, e a reposição do hormônio que a tiróide não consegue produzir é o mais indicado"


No entanto, os médicos lembram que elas raramente são curadas. "Isso porque a principal causa para o surgimento tanto do hipo quanto do hipertireoidismo é a predisposição genética, que inicialmente é responsável pelo desenvolvimento de doenças auto-imunes que atacam a tireóide, fazendo-a diminuir (hipo) ou aumentar (hiper) a produção dos hormônios. Ou seja, a pessoa portadora da doença naturalmente apresenta uma deficiência na glândula tireóide ou em outra glândula do seu sistema endócrino (como a hipófise e o hipotálamo). Essa deficiência, em algum momento da vida desta pessoa, poderá 'aparecer', provocando a alteração hormonal do T3 e do T4 e, é claro, originando os vários sintomas", explica Lois Tadeu Teixeira, chefe do setor de endocrinologia do Hospital Memorial, no Rio de Janeiro.

Nestes casos, estão presentes os fortes abalos emocionais, que seriam um fator desencadeante da doença - e não a razão específica, como muitos pensam. Foi o que aconteceu com a empresária Adriana Cotia Azevedo, 44 anos. Devido ao falecimento de entes queridos, há dez anos, Adriana sofreu um forte abalo emocional, que acabou desencadeando uma Tireoidite de Hashimoto, doença com a qual ela convive até hoje. Segundo ela, os principais sintomas com os quais ainda sofre são a dificuldade para emagrecer, a queda de cabelo, unhas fracas, fadiga, perda de memória, raciocínio lento e alterações no humor, que variam de irritabilidade a muita sensibilidade.

"Foi na época da morte da minha mãe e da minha avó que os problemas surgiram. Antes, eu não tinha nada, meus exames de sangue eram normais e não sabia de casos dessa doença na minha família. Acredito que tenha sido desencadeada por esse grande 'trauma' emocional que sofri. E estou enfrentando-a até hoje, com remédio e reeducação alimentar", conta Adriana. Por possuir uma carga herditária, o paciente que sofre de hipo ou de hipertireoidismo precisará manter o tratamento para toda a vida, sem possibilidade de cura - mas podendo viver uma vida tranqüila.

Excesso que vira falta

Os tratamentos para o hipertireoidismo podem acabar resultando, também, em problemas de insuficiência hormonal na tireóide. Entre eles, estão a radioiodoterapia (uma terapia feita com a ingestão oral de iodo radioativo), a operação de retirada da glândula e o uso inadequado ou excessivo de drogas antitireoideanas. Esses tratamentos servem para solucionar a hipertireoidite crônica que não apresenta resultados com os remédios, mas podem provocar a produção insuficiente de T3 e do T4, fazendo o paciente desenvolver hipotireoidismo e depender do medicamento para sempre.

Flavia Libonati, endocrinologista e nutróloga do Hospital Universitario Gaffrée e Guinle, no Rio, esclarece: "Para a maioria dos casos, não existe tratamento de cura definitiva, e a reposição do hormônio que a tiróide não consegue produzir é o mais indicado. O hormônio sintético usado é o levotiroxina, que funciona no organismo exatamente como o hormônio natural. É indispensável tomar os comprimidos de levotiroxina diariamente, em jejum, de manhã cedo, para que o objetivo seja alcançado".

Tireóide, um fator de peso > Convivendo com a doença


Assim como Lois Tadeu Teixeira, a endocrinologista lembra também que cada caso é um caso - cada um tem a sua dose a ingerir de levotiroxina, mas, em média, todos os pacientes precisam voltar ao consultório de três em três meses, seis em seis ou uma vez por ano. "No início do tratamento, os pacientes precisam voltar quase todo mês até que seja ajustada a dose certa do medicamento. Depois, com o tempo, para alguns casos, torna-se mais espaçada a freqüência das visitas e a realização dos exames de dosagem do TSH, do T3 e do T4", observa. O importante é não se desencorajar!

"No início do tratamento, os pacientes precisam voltar quase todo mês até que seja ajustada a dose certa do medicamento"


É bom frisar que sentir-se melhor não significa que se deva suspender a reposição hormonal - um erro comum. A suspensão dos medicamentos poderá causar o retorno dos sinais e sintomas da doença.

Confira algumas dicas para quem está enfrentando um problema de tireóide:

1. Visite o médico endocrinologista regularmente, no tempo estipulado.

2. Uma vez prescrito, tome o medicamento todo os dias, nos horários estabelecidos pelo seu médico.

3. Caso inicie um tratamento para outra doença ou distúrbio, avise ao médico que está em uso de levotiroxina. Alguns medicamentos interferem nos resultados dos exames laboratoriais e na ação da levotiroxina.

4. Avise ao seu endocrinologista quando engravidar para que ele ajuste a dose de reposição do hormônio tireoidiano.

5. Comente sempre com o seu médico o aparecimento de novas reações ou sintomas e sobre os alimentos e remédios diversos que você costuma ou pretende consumir.

6. Faça os exames laboratoriais periodicamente, conforme a solicitação do seu médico.

7. Ao adquirir a medicação, certifique-se que o medicamento e a dose são aqueles que o seu médico prescreveu.

Fonte: http://msn.bolsademulher.com/corpo/materia/tireoide_um_fator_de_peso/58697/3

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