Dr. Gamaliel Marques

Dr. Gamaliel Marques

terça-feira, 12 de julho de 2011

O DESABAFO DE JOÃO DA COSTA

“Seja qual for o problema, é João da Costa (PT). Vamos Acabar com isso!”.

A frase, proferida, ontem, pelo petista, em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, dá o tom do sentimento de um gestor que tem praticamente todos os problemas do Recife relacionados ao seu governo. Em seu desabafo, ele aponta que muitas das ações de sua gestão ainda não foram assimiladas pela população recifense. Fator que, segundo Costa, impediria uma avaliação positiva da mesma. Todavia, o governante defende que só deverá ser avaliado ao final do seu mandato, destacando que as análises de sua administração são alimentadas pelo interesse de quem aspira comandar a PCR.

BURACOS

Nós estamos, mesmo na situação de chuva, procurando fazer uma ação. Nós contratamos uma tecnologia nova que fecha o buraco, mesmo quando está chovendo. E nós temos dito que o tapa-buraco é tapa-buraco, não é recapeamento. Não é uma solução definitiva. A solução definitiva é você fazer o tratamento do recapeamento, como nós já estamos fazendo. De maio para cá, a gente já recapeou 14 quilômetros na cidade. São 12 vias. Agora, a gente está fazendo o recapeamento da (avenida) Real da Torre, ali entre a Caxangá e a Conde de Irajá. Estamos fazendo a rua Bicentenário da Revolução Francesa, na Roda de Fogo. Estamos fazendo a avenida Central, no Barro. Temos uma série de intervenções. Os caminhões, que contratamos para o tapa buraco, já fizeram 2.500 ações. Evidentemente, pode ter um ou dois que volte a ter problema, mas, na grande maioria, isso ajuda a melhorar a mobilidade. A gente está tratando, tomando as providências. Eu acho que, às vezes, você não pode falar só que a cidade tem buraco. Não só tem problemas. A PCR está agindo, com soluções.

PRAZOS

Nós não citamos prazo. O Recife sempre vai ter buraco. Não existe cidade do Brasil que, em nenhum momento, não tem buraco. Sexta-feira fizeram uma ação (protesto), na rua 48. De quem é aquele buraco? É da Compesa. A Compesa abriu um buraco e há 15 dias não deu solução. Ali está exalando esgoto. Não é só um buraco, não! Eu estive lá, numa pizzaria da Conselheiro Portela, e ninguém aguenta descer por conta da fedentina. Tudo hoje que acontece na cidade do Recife querem responsabilizar o prefeito João da Costa. João da Costa assume tudo aquilo que é de responsabilidade da PCR. Agora, o que não é da Prefeitura eu não vou assumir, não! Aquele problema da 48 é da Compesa. Tem que ser cobrado da Compesa e não do prefeito João da Costa. Não adianta querer transformar um problema temporário, que o Recife sempre teve, dando dimensão política, responsabilizando o prefeito por tudo. A gente tem que ter bom senso para tratar as coisas como elas são. Se a Prefeitura não estiver trabalhando bem, eu assumo. Sem problema. Agora, querer transferir para o prefeito João da Costa todos os problemas que tem na cidade, que não de responsabilidade da PCR, eu vou enfrentar esse debate.

COMPARAÇÃO

Problemas se tem em todas as cidades. Veja o caso do Rio de Janeiro, onde os bueiros estão explodindo, ameaçando as vidas das pessoas. E eu não vejo lá ninguém dizendo que o problema é do prefeito (Eduardo Paes/PMDB). É da Light, é da Comperj (empresas de serviços públicos). Ninguém diz: é de Eduardo Paes. Não! Aqui, seja qual for o problema é João da Costa. Vamos acabar com isso, né, pessoal? Não vamos transformar problemas que não são de responsabilidade da PCR para fazer luta política contra o prefeito João da Costa.

SERVIDORES

A gente tem um diálogo permanente com os servidores. No meu Governo, em dois anos e meio, os servidores tiveram reajustes razoáveis. A folha salarial em 2010 foi reajustada em 20%, para uma inflação de 5,5%. Várias categorias tiveram ganhos reais importantes. Este ano, a gente compensou um pouco, em função do cenário econômico. É preciso a gente dizer que a PCR, hoje, recebe em média R$ 200 milhões a menos em função da redução do FPM e a redução do ICMS, aqui do Estado de Pernambuco.

CTTU

Estamos contratando mais agentes. Começamos a fechar uma série de giros à esquerda. Estamos com um trabalho lá de reestruturação. Tivemos problemas há dois anos, mas de ordem política e se refletiu no ponto de vista administrativo. A cidade do Recife recebe, por mês, quatro mil novos carros. Uma cidade com essas características tem se agravado por causa disso. Estamos concluindo a modernização de 200 grupos semafóricos.

MOBILIDADE

Não sei os motivos de (o presidente da Câmara do Recife) Jurandir Liberal (PT) ter antecipado, porque ele não me comunicou. O Plano de Mobilidade estabelece regras para que você articule isso com o Plano Diretor. As pessoas ficam confundindo - ou por desconhecimento ou por má-fé - aquilo que está sendo feito. A Prefeitura está trabalhando. Tem licitações, tem projetos, tem parcerias com o Governo do Estado, com o Governo Federal. Um plano de ação é diferente. São os corredores Leste/Oeste, Norte/ Sul, Via Mangue. Isso é um plano concreto. O Plano de Mobilidade tem regras. É indicar o que pode ser feito na cidade. É fazer transporte individual ou coletivo? O Plano de Mobilidade estabelece as prioridades. Apresentamos um conjunto de projetos, em parceria com o Governo do Estado, para o Governo Federal, num total de R$ 2 bilhões e 400 milhões. Um plano de ação que deve, aí sim, ficar pronto até a Copa do Mundo. Espero que o Governo, até agosto, dê uma resposta a isso, porque vai possibilitar a gente fazer uma série de intervenções.

IMAGEM

A imagem do prefeito não é feita só do núcleo (político). É resultado de todo o conjunto, não só da gestão, mas da política também. Temos trabalhado e estamos muito confiantes no trabalho que estamos fazendo. Sempre que vou a qualquer debate, do ponto de vista administrativo, pode pegar qualquer tema que eu vou discutir. Pegue habitação: a gente entregou 16 conjuntos e vamos fazer mais 16. Compare com qualquer outra prefeitura do Estado: a área de saneamento, que não é só responsabilidade direta nossa, estamos com o PAC Beberibe, com o Pró-Metrópole, o PAC Caxangá. Pegue a parte da mobilidade urbana: quem tirou do papel a Via Mangue? Quem fez a paralela da Imbiribeira? Quem está fazendo uma série de intervenções em mais de 100 ruas da cidade? Vamos dobrar o número de ambulâncias do Samu, contratamos cinco motolâncias. Eu não tenho problema de discutir com nenhum outro prefeito que veio antes de mim ou de outra cidade. Agora, esse núcleo está discutindo estratégias políticas, a ação política do Governo, para que a gente possa responder do ponto de vista político a um conjunto de ações.

RECONHECIMENTO

Evidentemente, que isso tudo o que eu falo aqui ainda não tem sido percebido pela população como uma avaliação positiva de gestão. Eu tenho consciência disso. Aí tenho que tratar a comunicação, a articulação política para que tudo isso que eu falo e a gente está fazendo se transforme numa avaliação positiva.

LUCIANO E O PCdoB

Como ele (Luciano Siqueira) não falou que eu sou antipático, mas que não conquistei ainda a simpatia da população, em parte sim (concorda). A Sanear, que é comandada pelo PCdoB no meu Governo... nós inauguramos 88 ruas em Santo Amaro. Inauguramos a primeira etapa da urbanização da Mangueira, na Torre. Temos o Parque do Jiquiá, que eu fui pessoalmente falar com o ministro Aluízio Mercadante (Ciência e Tecnologia), quando conquistamos R$ 11 milhões. O PCdoB nunca administrou tanto recurso e nunca inaugurou tanta obra quanto comigo.

FOGO-AMIGO

Eu tenho (paciência), porque isso faz parte do jogo político. Quem é que não deseja ser prefeito do Recife? De dez políticos daqui, você pergunta quantos querem ser prefeitos e 11 dirão que querem. Em qualquer pleito, tem disputa. Vocês lembram que no meu, por exemplo, Luciano Siqueira queria ser candidato. Um desejo que a gente respeita. Ele gosta da cidade. Procura estudar. O PCdoB tem aspirações legítimas? Tem! Isso vai se resolver com muita responsabilidade, diálogo... Ninguém vai impor nada. Nem dentro do PT, nem fora. Vamos construir a melhor alternativa para o campo político. A gente tem que ter responsabilidade com o que a gente está fazendo.

PESQUISA

Eu tenho trabalhado muito. Minha referência não é só pesquisa. Se fosse, eu não era prefeito. Na política, pesquisa é importante, mas não resolve tudo. Eu vivi essa situação. Em 2004, até 31 de agosto, no ano da reeleição de João Paulo, ele era o terceiro lugar com 17%, Joaquim Francisco tinha 32% e Cadoca 24%. Em 30 dias, João Paulo ganhou a eleição no primeiro turno, depois que mostrou. Como teve tempo do guia eleitoral, para mostrar toda a sua ação de governo. Pesquisa é importante, é um balizador importante, mas o prefeito não pode ficar, todo mês, fazendo uma pesquisa. Eu tenho um plano de governo, ele está sendo operado e os resultados espero que sejam alcançados.

ELEIÇÃO

Toda eleição é uma eleição específica. Elas não podem ser comparadas, porque possuem circunstâncias diferentes. Temos que esperar os cenários para 2012. Vamos ver como isso evolui, a economia do País, a situação do Governo Dilma, aqui no Estado, as nossas realizações. Não posso entrar numa discussão política com dois anos e meio de governo, tenho que ser avaliado com quatro anos. O julgamento, às vezes, não é feito só com quatro anos. Com cinco ou mais, as pessoas vão olhar e lembrar alguma ação importante que foi feita. Não vou discutir, com dois anos e quatro meses, uma avaliação de governo com todos os problemas políticos que eu tive. E que tem reflexos sobre isso.

JOÃO PAULO

É natural que alguns desejem aspirar a hegemonia desse campo. Tivemos problemas políticos. Não rompi pessoalmente com ninguém. Não faço política brigando pessoalmente com ninguém. Houve problema de concepção política na gestão. O Recife é uma cidade grande e, pela sua História, não ia admitir que eu não fosse eleito com 400 e tantos mil votos, e não fosse o prefeito de fato. Pra mim era uma avaliação política e coloquei isso muito claro. Quem rompeu não fui eu. Mas isso é passado. A gente, agora, tem que cuidar das coisas que tem pela frente.

PTB

Acho que o PTB resolveu demarcar uma posição. Para vocês (imprensa), isso até está mais claro. Demarcou saindo da Prefeitura e demarcou agora, no caso da Assembléia Legislativa (na votação da PEC da reeleição). Isso é uma estratégia do senador Armando Monteiro (Neto, presidente regional da sigla), e aí ele é quem conduz a estratégia do PTB. Nunca tive problema administrativo, nem político com o PTB. E espero que a gente possa retomar o diálogo, em outras bases.

HUMBERTO COSTA

Eu nunca tive problema de relacionamento com o grupo de Humberto Costa. Inclusive, na minha eleição, eu deixei muito claro que a Prefeitura não seria instrumento de luta partidária. Então, desde o início da composição do meu Governo, todo mundo no PT teve espaço para atuar, e para fazer sua ação administrativa e política. Acho que qualquer partido tem que trabalhar, no cenário político, com várias alternativas. Eu continuo avaliando que a melhor alternativa, para o PT, é a gente chegar, terminar o Governo com uma boa avaliação. E, com boa avaliação, seria natural que eu fosse o candidato. Seria bom para o PT e bom para a Frente Popular.

MUDANÇA DE VICE

Toda eleição é uma outra eleição. Estou muito satisfeito com Milton Coelho. É um parceiro. Ele foi indicado pelo PSB. Evidentemente, num processo eleitoral, que a gente não vai discutir agora - só em 2012 -, você vai discutir com os partidos a composição de uma chapa. E isso vai ser avaliado. Se o Governo chegar bem avaliado, a chapa se repete. Mas esse é um processo que não se pode antecipar. Eu estou muito satisfeito em ter Milton como meu vice. Isso não está no horizonte de nenhuma discussão.

PROBLEMAS DE DILMA

Tudo são circunstâncias políticas. O desejo e o compromisso ético é fazer com que tudo que não está de acordo com a ética pública seja resolvido. Essas coisas não acontecem só aqui. Pegue o exemplo da Itália, com Silvio Berlusconi. É uma democracia madura, mas mantém um presidente como aquele. A presidente teve problemas muito cedo. Ela (Dilma) está muito focada em resolver o problema da saúde pública no Brasil. A presidente tem externado. O problema de Dilma é semelhante ao que aconteceu comigo. Às vezes, você faz as ações, mas um problema político acaba ofuscando.

BILHÃO

Recife não vai ser prejudicado. Temos cerca de R$ 1 bilhão em convênios. Gastar bem é importante para que a gente possa, no futuro, conseguir mais recursos. Hoje, as pessoas podem ter segurança que vamos fazer a Via Mangue, porque temos o dinheiro. Estamos gastando esses R$ 1 bilhão. Só a Via Mangue são R$ 400 milhões. Tem o Capibaribe Melhor...

ANIMADO

Estou 120%. 100% de saúde e 20% de animação. Ninguém faz o que nós fazemos sem eficiência administrativa. Ninguém pode dizer que eu não sou um político sério. Estou muito animado. Deus me deu a graça de superar o problema de saúde (transplante de rim).

MERENDA

Se uma empresa apresentar o menor preço, não vai ser o prefeito que vai dizer que ela não pode. Estamos abrindo a licitação. Até o momento, só duas apresentaram propostas. Nós fizemos uma licitação, uma empresa questionou e nós usamos a regra do Tribunal de Contas da União. Não é porque a SP (Alimentação e Serviços Ltda.) teve problemas em outras cidades que necessariamente ela terá aqui. Ninguém pode fazer esse tipo de ilação. Quando a empresa ganhou os aditivos, em 2004, eu não era prefeito ainda. Merenda é uma coisa de urgência. Eu tinha que dar continuidade ao contrato. Se a SP ganhar, eu não posso fazer nada. O que eu quero é que a merenda seja fornecida com boa qualidade.

Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/edicao-de-hoje/650314-o-desabafo-de-joao-da-costa

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